Poesia

Moby Dick 

Vaguemos incautos
Na imensidão de cobalto.
Rostos e fraturas
Expostos
Ao sol de pedra
E à brisa de aço.
– Içar velas!
Ninguém no mastro,
800 nós.

 

Conjugação do verbo vir-a-ser

De todas as perspectivas,
toma uma
e vai…

Sê tu
Sê eu
Sê um
Sê muitos
Sê ser

Em todas as guerras,
toma uma posição,
à esquerda da esquerda,
e vai…

Sê nós
Tem voz
Diz tudo
Revira o mundo
Ser

 

Farol

Descobrimos que não há sentido último
E que é por isso que há sentido na vida afinal.
Nos desfizemos da essência,
Mas não perdemos nada do essencial.
A Falta do sentido último,
E nunca o pecado original,
Se fez, para nós, de farol
E de sinal.
No dia em que Deus morreu,
Já éramos um feliz carnaval.

 

Lítio

Nítido,
Polímero de carbono ou ácido
Sob meus pés descalços
O vacilo pouco antes do colapso,
Lapso, lapso, lapso
A razão vagueia momentaneamente
E o corpo dança
Como dança quem já não sente.

Colírio,
Acetado ou hidrácido
Em meus olhos encarnados
O delírio um tanto antes do contacto
Tacto, tacto, tacto
O corpo intacto se eleva
E a razão retoma, faz-se presente
Na ausência de quem já não sente.

Lítio,
Putrefeito, diluído, disseminado
Sêmen em cada corpo contrário
Corpos feitos um compacto
Pacto, pacto, pacto
Amor louco, loucura certa
E o corpo se contorce, mente
Trai como quem já não sente.

 

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