A lógica “inquestionável” do capital

O que leva alguém a fazer o curso de direito? A preocupação com a justiça social? É claro que não. É o sonho do sucesso profissional, é lógico! É “inquestionável”.

O que leva alguém a fazer o curso de medicina? A preocupação com a saúde dos seres humanos? É óbvio que não. É a promessa de enriquecimento pressuposta pelo exercício da profissão, é claro! Mas seria mesmo “inquestionável”?

O que leva alguém a seguir o ofício de professor? É “inquestionável” que também deve ser o dinheiro: é preciso sobreviver. De todo modo, por que a preocupação haveria de ser, somente neste caso, com o outro?

Ou seja, qual o interesse de um professor em se dedicar a formar procuradores e juízes cuja preocupação primeira é o êxito financeiro privado? Qual o interesse, para um professor, de formar médicos cuja interesse primordial é lucro deles próprios? O que este professor consegue com isso? Como os médicos e advogados que ele mesmo formou cuidarão de sua saúde, se preciso for? Que justiça lhe será garantida?

E quanto aos demais, que não são da área de saúde nem jurídica, nem são professores, com relação a todos os demais: por que é tão óbvio que todos se dediquem, em primeiro lugar, ao lucro individual? De onde vem a naturalidade disso? Nasceu de Deus, da ordem cósmica, da razão econômica pura? Que metafísica é essa em que se apoia, em última instância, a racionalidade que inventa essa “natureza humana”? Por que, em geral, isso parece tão “inquestionável”?

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