Introdução à guerra civil, de Tiqqun

Apresentação

O que segue é uma tradução de passagens selecionadas do texto intitulado Introduction à la guerre civile, inédito em língua portuguesa, que abre o segundo número da revista filosófica francesa Tiqqun – Organe de liaison au sein du Parti Imaginaire, número este que recebe o título Zone d’Opacité Offensive.

De acordo com a Wikipédia, os dois números da revista foram produzidos entre 1999 e 2001, quando seus fundadores encerrá-la-iam, logo após os atentados de 11 de setembro. Conjunto de escritos anônimos, publicados sem nenhuma menção de autoria, a experimentação literária de Tiqqun contava, em princípio, com uma série indefinível de colaboradores e colaboradoras, cujo objetivo declarado consistia em “recriar as condições para uma outra comunidade”.

Depois da dissolução da revista, o nome Tiqqun volta a aparecer em vários livros – bem como em traduções em diversos idiomas, inclusive português –, contendo textos anteriormente publicados, por vezes, em versões prolongadas. É o caso do dossiê anti-consumista e pós-feminista Premiers matériaux pour une théorie de la Jeune-Fille (2001), do tratado de psicologia social joyciana Théorie du Bloom (2004) e do contra-manifesto metafísico-surrealista Ceci n’est pas un programme (2006). De um senso de humor e de uma acidez fina, os títulos são particularmente polêmicos, criativos e subversivos: vão de Hommes-Machines, mode d’emploi (1999) a Contributions à la guerre en cours (2009). Tiqqun é uma espécie de autor coletivo, um pseudônimo mantendo em sigilo aqueles ou aquele(a) que estariam por trás dos textos e, ao mesmo tempo, permitindo a continuidade de sua difusão. Aliás, enquanto potência de resistência, o anonimato cumpre um papel crucial na estratégia estética, mas também política e filosófica que aí se põe em prática.

Assumindo um posicionamento político radical ao extremo, que é veiculado num estilo experimental e poético singular, Tiqqun difundiu-se no meio intelectual e da militância alternativa europeu, sobretudo, entre pós-situacionistas, pós-operaístas, por movimentos de sem-teto (squats) e anarquistas de base autonomista, sendo hoje reconhecida como um cult. Por certo, um dos aspectos mais contundentes – sobretudo, no meio em que a própria revista eclode – é o caráter não apenas metafísico, mas também místico-teológico que assume a sua argumentação. O pensamento que aí se articula é fortemente influenciado por figuras como: Giorgio Agamben, Walter Benjamin, Guy Debord, Michel Foucault, Gilles Deleuze, Martin Heidegger, Antonio Negri, entre outros.

Cabe esclarecer que, antes de mais nada, “Tiqqun” – cuja pronúncia aportuguesada seria algo próximo de ‘tican’ – é um conceito filosófico. A palavra é a derivação francófona do termo hebraico Tikkoun olan, de emprego frequente na mística judaica, nas tradições cabalística e messiânica, significando simultaneamente reparação, restituição e redenção. O conceito de Tiqqun faz referência, assim, à ideia de uma justiça política porvir ou de um juízo final, estado de coisas que possibilitaria um evento apocalíptico de emergência do sentido na história, uma revolução do curso do tempo, uma explosão de seu continuum. Tiqqun é, portanto, o anúncio de uma catástrofe inteiramente inédita e imponderável. A revista e os livros pretendem cumprir o papel de despertador e de gatilho ou estopim para tal explosão.

Ainda segundo a Wikipédia, as publicações de Tiqqun e daqueles que supostamente estariam ligados a ela tornaram-se alvo de um interesse considerável por parte mídia francesa e internacional, notadamente em novembro de 2008, com a prisão de Julien Coupat, apontado como um de seus fundadores. Coupat foi indiciado como formador de uma “célula invisível” que teria sido responsável pela sabotagem de uma linha férrea do TGV (trem de alta velocidade francês). Juntamente com outras oitos pessoas, ele foi acusado de liderar uma associação criminosa que tinha como finalidade a prática de atos de degradação considerados como uma “empreitada terrorista”. Após desencadear polêmica relevante no contexto francês, o caso segue em julgamento, embora a qualificação de terrorismo tenha sido oficialmente descartada em janeiro de 2017.

 

Os trechos que se traduz abaixo fazem parte de Introduction à la guerre civile, texto composto por 85 aforismos acompanhados de diversas glosas (versão integral em espanhol). Este texto integra as evidências que instruem o processo contra Julien Coupat e seus companheiros.

 

INTRODUÇÃO À GUERRA CIVIL

 

A guerra civil, as formas-de-vida

 

  1. A unidade humana elementar não é o corpo – o indivíduo, mas a forma-de-vida.
  1. A forma-de-vida não é o para-além da vida nua, ela é antes sua polarização íntima.

[…]

  1. Minha forma-de-vida não se relaciona a o que eu sou, mas a como eu sou o que eu sou.

[…]

  1. Em si mesmas, as formas-de-vida não podem ser ditas, descritas, somente mostradas, nomeadas, isto é, num contexto necessariamente singular. Por outro lado, seu jogo considerado localmente obedece a estritos determinismos significantes. Se eles são pensados, esses determinismos se tornam regras, logo, suscetíveis de emendas. Cada sequência desse jogo é delimitada, em cada uma de suas extremidades, por um evento. O evento tira o jogo de si mesmo, faz uma dobra nele, suspende os determinismos passados, inaugura outros, de acordo com os quais ele exige ser interpretado. Em todas as coisas, começamos pelo meio.
  1. A guerra civil é o jogo livre das formas-de-vida, o princípio de sua coexistência.
  1. Guerra porque, em cada jogo singular entre formas-de-vida, a eventualidade do enfrentamento bruto, do recurso à violência não pode nunca ser anulada.

Civil porque as formas-de-vida não se enfrentam como Estados, como coincidências entre população e território, mas como partidos, no sentido que por essa palavra se entendia até o advento do Estado moderno, isto é, uma vez que é preciso precisá-lo a partir daqui, como maquinas de guerra partidárias.

Enfim, guerra civil porque as formas-de-vida ignoram a separação entre homens e mulheres, existência política e vida nua, civis e tropas regulares;

porque a neutralidade é ainda um partido no jogo livre das formas-de-vida.

porque esse jogo nem tem começo nem fim que se possa declarar, fora de um fim físico do mundo que ninguém poderia precisamente declarar;

e, sobretudo, porque não conheço corpo que não se encontre implicado irremediavelmente no curso excessivo e perigoso do mundo.

  1. O ponto de vista da guerra civil é o ponto de vista do político.
  1. Quando dois corpos afetados, num certo lugar, num certo momento, pela mesma forma-de-vida vêm a se encontrar, eles fazem a experiência de um pacto objetivo, anterior a toda decisão. Essa experiência é a experiência da comunidade.
  1. Só há comunidade nas relações singulares. Nunca há a comunidade, há da comunidade, que circula.
  1. A comunidade nunca é a comunidade dos que estão aí.
  1. O encontro de um corpo afetado pela mesma forma-de-vida que eu, a comunidade, me põe em contato com minha própria potência.
  1. O sentido é o elemento do Comum, isso quer dizer que todo evento, enquanto irrupção de sentido, instaura um comum.

O corpo que diz “eu”, na verdade, diz “nós”.

O gesto ou o enunciado dotado de sentido recorta da massa dos corpos uma comunidade determinada, que é preciso de início assumir para poder assumir esse gesto, esse enunciado.

[…]

  1. Para mim, o hostil é um nada que exige ser aniquilado, seja cessando de ser hostil, seja cessando existir.
  1. O hostil pode ser aniquilado, mas a hostilidade, enquanto esfera, não pode ser reduzida a nada. O humanismo imperial, aquele que se orgulha de que “nada do que é humano não lhe é estrangeiro”, lembra-nos somente de que esforços lhe foram necessários para chegar a esse ponto estrangeiro a si mesmo.

[…]

  1. A hostilidade me distancia da minha própria potência.

[…]

  1. Chamo de comunismo o movimento real que elabora em todos o lugares, a todo instante, a guerra civil.

 

O Estado moderno, o sujeito econômico

 

  1. O Estado moderno não se define como um conjunto de instituições cujas diferentes sortes de agenciamentos ofereceriam a ocasião de um pluralismo interessante. O Estado moderno, na medida em que permanece, define-se eticamente como o teatro de operação de uma ficção bífida: de que existiria neutralidade e centralidade, de fato, das formas-de-vida.

[…]

  1. Na teoria, na prática, o Estado moderno nasce para pôr fim à guerra civil, então dita “de religiões”. Portanto, ele é, histórica e confessadamente, segundo em relação à guerra civil.

[…]

  1. O Estado moderno, que pretende pôr fim à guerra civil, é antes a sua continuação por outros meios.
  1. O processo que, na escala molar, assume o aspecto do Estado moderno, na escala molecular se chama sujeito econômico.

[…]

  1. Que certas teses, como aquela da “guerra de cada um contra cada um”, encontram-se içadas ao patamar de máximas de governo, depende das operações que elas autorizam. Assim demandar-nos-emos, nesse caso preciso, como a “guerra de cada um contra cada um” pôde se desencadear antes que cada um fosse produzido como cada um? E veremos então como o Estado moderno pressupõe o estado de coisa que ele produz; como ele fixa na antropologia o arbítrio de suas próprias exigências; como a “guerra de cada um contra cada um” é antes a indigente ética da guerra civil que o Estado moderno impôs por toda parte sob o nome de economia; e que não é senão o reino universal da hostilidade.
  1. Rousseau cria poder opor a Hobbes “que o estado de guerra nasce do estado social”. Assim, ele opunha ao mau selvagem do inglês seu Bom Selvagem, uma antropologia uma outra antropologia, otimista desta vez. Mas o erro, aqui, não era o pessimismo, era a antropologia; e querer fundar sobre ela uma ordem social.

[…]

  1. A cada instante de sua existência, a polícia relembra ao Estado a violência, a trivialidade e a obscuridade de sua origem.

  1. O Estado moderno terá fracassado de três maneiras: de início, como Estado absolutista, em seguida, como Estado liberal e, em breve, como Estado-providência. A passagem de um ao outro só se compreende em ligação com três formas sucessivas et correspondentes termo a termo da guerra civil: a guerra de religiões, a luta de classes, o Partido Imaginário. A notar que o fracasso em questão não reside de forma alguma no resultado, mas é o processo mesmo, em toda a sua duração.
  1. A estatização do social devia fatalmente se pagar por uma socialização do Estado e, portanto, levar à dissolução de um no outro, do Estado e da sociedade. NÓS nomeamos “Estado-providência” a essa indistinção na qual se sobreviveu por um tempo, no seio do Império, a forma-Estado obsoleta. No desmantelamento atual deste, exprime-se a incompatibilidade da ordem estatal e de seus meios, a polícia e a publicidade. Então também não há mais sociedade, no sentido de uma unidade diferenciada, não há mais que um enredamento das normas e dos dispositivos pelos quais NÓS juntamos os farrapos esparsos do tecido biopolítico mundial; pelos quais NÓS prevenimos toda desintegração violenta deste. O Império é o gestionário dessa desolação, o regulador último de um processo de implosão morno.

 

O Império, o cidadão

 

  1. A história do Estado moderno é a história de sua luta contra sua própria impossibilidade, isto é, de seu transbordamento pelo conjunto dos meios empregados para conjurá-la. O Império é a admissão dessa impossibilidade e, logo, desses meios. Por mais exatidão, diremos que o Império é o arregaçamento do Estado liberal.

[…]

  1. O Império só existe positivamente na crise, isto é, de maneira ainda negativa, reativa. Se somos incluídos no Império, é apenas pela impossibilidade de se excluir dele por completo.
  1. O Império não ocorre ao termo de um processo ascendente de civilização, como seu coroamento, mas ao termo de um processo involutivo de desagregação, como o que deve lhe frear e, se possível, lhe fixar. É por isso que o Império é kat-echon. “‘Império’ designa aqui o poder histórico que sucede a reter o advento do Anticristo e o fim do eon atual” (Carl Schmitt, Le Nomos de la Terre). O Império apreende-se como o último baluarte contra irrupção do caos e age na perspectiva mínima.

[…]

  1. Com o arregaçamento do Estado liberal no Império, NÓS passamos de um mundo repartido pela Lei a um espaço polarizado por normas. O Partido Imaginário é a outra face desse arregaçamento.
  1. O Império não tem, não terá jamais existência jurídica, institucional, porque ele não tem necessidade disso. O Império, diferentemente do Estado moderno, que se queria uma ordem da Lei e da Instituição, é a garantia de uma proliferação reticular de normas e dispositivos. Em tempos normais, esses dispositivos são o Império.

[…]

  1. Doravante, cidadão quer dizer: cidadão do Império.

[…]

  1. A redução cibernética põe idealmente o Bloom como meio transparente da informação social. Portanto, o Império se representará voluntariamente como uma rede em que cada um seria um . A norma constitui então, em cada um desses nós, o elemento da condutividade social. Antes da informação é, de fato, a causalidade biopolítica que circula aí, com mais ou menos resistência, segundo o gradiente de normalidade. Cada nó – país, corpo, empresa, partido político – é tido como responsável por sua resistência. E isso vale até o ponto de não condução absoluto ou de refração dos fluxos. O nó em causa será então decretado culpável, criminoso, inumano e será o objeto da intervenção imperial.

  1. A extensão das atribuições da polícia imperial, do Biopoder, é ilimitada porque aquilo que ela tem a missão de circunscrever, de parar, não é da ordem da atualidade, mas da potência. O arbítrio se chama aqui prevenção e o risco é essa potência por toda parte em ato enquanto potência que funda o direito de ingerência universal do Império.
  1. Não convém distinguir entre policiais e cidadãos. Sob o Império, a diferença entre a polícia e a população é abolida. Cada cidadão do Império pode, a todo instante e no grau de uma reversibilidade propriamente bloomesca, revelar-se um policial.

[…]

  1. O Império não se opõe a nós como um sujeito que nos faria face, mas como um meio que nos é hostil.

 

Uma ética da guerra civil

 

  1. Todos os corpos que não podem ou que não querem atenuar sua forma-de-vida devem chegar a esta evidência: eles são, nós somos os párias do Império. Ancorado em alguma parte de nós, há esse ponto de opacidade sem retorno como a marca de Caim e que enche os cidadãos de terror, senão de ódio. Maniqueísmo do Império: de um lado, a nova humanidade radiante, cuidadosamente reformatada, transparente a todos os raios do poder, idealmente destituída de experiência, ausente a si até o câncer: são os cidadãos, os cidadãos do Império. E, depois, há nós. Nós não é um sujeito, nem uma entidade formada, não mais que uma multidão. Nós é uma massa de mundos, mundos infra-espetaculares, intersticiais, de existência inconfessável, tecidos de solidariedades e de dissensões impenetráveis ao poder; e, depois, são também os extraviados, os pobres, os prisioneiros, os ladrões, os criminosos, os loucos, os perversos, os corrompidos, os hiperativos, os transbordantes, as corporeidades rebeldes. Em suma: todos os que, segundo sua linha de fuga, não se encontram na tibieza climatizada do paraíso imperial. Nós é todo o plano de consistência fragmentado do Partido Imaginário.

[…]

  1. Não temos nada a dizer aos cidadãos do Império: para isso, seria preciso que tivéssemos algo em comum. Para eles, a regra é simples: ou eles desertam, se jogam no devir e se juntam a nós, ou eles ficam lá onde eles estão e serão tratados segundo os princípios bem conhecidos da hostilidade: redução e achatamento.
  1. A hostilidade que, no Império, rege tanto a não relação a si quanto a não relação global dos corpos entre si, é para nós o hostil. Tudo que quer extorqui-la de nós deve ser aniquilado. Quero dizer que é a esfera mesma da hostilidade que devemos reduzir.

[…]

  1. O agente do Partido Imaginário é aquele que, partindo de onde ele se encontra, de sua posição, desencadeia ou prossegue o processo de polarização ética, de admissão diferencial das formas-de-vida. Esse processo não é outro senão o Tiqqun.
  1. O Tiqqun é o devir-real, o devir-prática do mundo; o processo de revelação de toda coisa como prática, isto é, como tomando lugar em seus limites, na sua significação imanente. O Tiqqun é que cada ato, cada conduta, cada enunciado dotado de sentido, isto é, enquanto evento, inscreve-se por si mesmo na sua metafísica própria, na sua comunidade, no seu partido. A guerra civil quer apenas dizer: o mundo é prática; a vida, heroica, em todos os seus detalhes.

[…]

  1. Nas condições presentes, sob o Império, toda agregação ética pode apenas se constituir em máquina de guerra. Uma máquina de guerra não tem a guerra como objeto; pelo contrário: ela só pode “fazer a guerra sob a condição de criar outras coisas ao mesmo tempo, a não ser a partir de novas relações sociais não orgânicas” (Deleuze-Guattari, Mil platôs). Diferentemente de um exército como toda organização revolucionária, a máquina de guerra só tem com a guerra uma relação de suplemento. Ela é capaz de livrar das batalhas, de ter um recurso desligado da violência, mas ela não tem necessidade disso para conduzir uma existência inteira.

[…]

  1. O fato não é nada, o como é tudo. Que não haja fato que previamente qualificado, prova-o suficientemente. A jogada de mestre do Espetáculo é ter adquirido o monopólio da qualificação, da denominação; e, a partir dessa posição, fazer decorrer sua metafísica de contrabando, livrando como fatos o produto de suas interpretações fraudulentas. Uma ação de guerra social é um “ato de terrorismo”, enquanto uma intervenção pesada da OTAN, decidida da maneira mais arbitrária, é uma “operação de pacificação”; um envenenamento em massa é uma epidemia e chamamos de “Setor de Alta Segurança” a prática legal da tortura nas prisões democráticas. Face a isso, o Tiqqun é ao contrário a ação de restituir a cada fato seu próprio como, de tomá-lo, mesmo, como único real. A morte em duelo, um belo assassinato, uma última frase de gênio pronunciada com pathos, bastam para apagar o sangue, para humanizar o que NÓS reputamos o mais inumano: o assassinato. Pois na morte mais que em qualquer outra parte, o como faz desaparecer o fato. Entre inimigos, por exemplo, a arma de fogo será excluída.

[…]

  1. Os enunciados que precedem querem introduzir a uma época cada vez mais tangivelmente ameaçada pela inundação em bloco da realidade. A ética da guerra civil que se exprimiu aí recebeu um dia o nome de “Comitê Invisível”. Ela designa uma fração determinada do Partido Imaginário, seu polo revolucionário. Com essas linhas, esperamos nos esquivar das inépcias mais vulgares que poderão ser proferidas sobre nossas atividades, como sobre o período que se abre. Toda a conversa previsível, como não a adivinharíamos, a começar pela reputação que o xogunato Tokugawa se fez no fim da era Muromachi, acerca do qual um de nossos inimigos observava justamente: “Por sua agitação mesma, na inflação das pretensões ilegítimas, essa época de guerras civis revelar-se-ia a mais livre que o Japão conheceria. Um monte de gente de todas as sortes se deixava ferver. É por isso que insistiremos muito no fato de que ela teria sido somente a mais violenta”?

E-books de Tiqqun e Comitê Invisível disponíveis em: http://minhateca.com.br/Etc.Biblioteca/Tiqqun

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